segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

cruzando o horizonte de eventos

Recentemente conheci os vídeos de um cientista chamado Nassim Haramein, cujo trabalho é muito interessante, pois além de causar inquietação na comunidade cientifica mundial, levanta muitas controvérsias sobre as bases da ciência convencional. Ele ousa defender que unificou as teorias de campo gravitacional e magnético, encontrando correspondências de tais com todos os fenômenos da natureza, visíveis ou não a olho nú.
E o mais interessante é que Nassim não nega a espiritualidade do ser humano (culturas e tradições religiosas), não rejeita a hipótese "da criação da existência a partir do nada" (cosmologia e narrativas criacionistas), não nega a existência de seres inteligentes fora do nosso planeta (ufologia), e não nega que tudo no Universo esteja interconectado (metafísica).

Mas, "interessante" é pouco para descrever as teorias de Nassim!
Na verdade, são amplamente plausíveis, e me fizeram despertar para a realidade de muito do que antes me eram apenas incertezas sem perspectivas de respostas.
:)

Recomendo os vídeos das palestras dele que estão espalhados pela web.
Aqui eu reúno alguns deles.


-- Continuação --


Outros

http://www.youtube.com/watch?v=0Y5bXdx5UrE

hipóteses confirmadas

Após verificar todos os comentários nesta sessão do LinkedIn, fica claro para mim que o problema está muito mais na parte dos selecionadores do que na dos profissionais candidatos. E isso eu já constatei largamente, mas quando explico para as pessoas sobre "o porquê de eu estar desempregado há tanto tempo", é comum não acreditarem, e me reduzirem ao tipo de homem que "não se esforça verdadeiramente para conseguir um emprego"...

Eu trabalho nas áreas de Criação e Web Design, sou graduado, tenho um bom portfolio... e, para a maioria das entrevistas que participei em 2011 -- é claro que, em algumas delas, eu cometi alguns erros, admito -- eu fui um candidato plenamente capacitado... Numa empresa de grande porte de São Paulo Capital, por exemplo, me trocaram por um profissional ainda menos capacitado do que eu... Após esta experiência, ficou evidente para mim que os selecionadores (a maioria, e na maioria das empresas paulistanas) não sabem fazer o trabalho de recrutar, não sabem analisar o candidato de forma honesta, e não sabem reconhecer mais a fundo a capacidade dele, pois o toma apenas pela aparência. E quando termina o processo seletivo, fica essa desconsideração total...
[É como eu já disse aqui no meu blog: existe um fenômeno social muito típico em nosso país, que se verifica desde os processos seletivos para cargos de trabalho até os referendos nacionais para a presidência da república, nos permitindo constatar que os melhores candidatos são sempre os mais subestimados.]


Conclusão


Costumo dizer que os profissionais candidatos a vagas de emprego não são simplesmente "dispensados do processo seletivo"; são na verdade descartados... como meras mercadorias sendo jogadas na lata do lixo, praticamente...

O mundo corporativo está se embriagando com o estilo-de-vida consumista de tal modo que o seu pessoal passa a tratar o candidato à vaga como um produto industrializado; e não apenas isso: eles se acham superiores àqueles que "não se encaixam" aos seus padrões e a suas necessidades de produção/consumo. Os paradigmas de commodity value system estão subindo a cabeça das pessoas do ambiente corporativista, pois elas estão recebendo seres humanos como meros objetos: sujeitos a serem descartados, jogados fora, esquecidos, banidos da sociedade... E isso pra mim é doentio... Afinal, é o que os alemães fizeram com os judeus na Segunda Guerra. É fascista por essência...

Portanto, devo citar (novamente) aquela lúcida reflexão de Jiddu Krishnamurti: "não é demonstração de saúde ser ajustado a uma sociedade profundamente doente".

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

eu-alien

Sou este "monólito não-identificado" que simplesmente apareceu por acaso nesta dimensão da existência. Que aparenta remanescer de outros tempos da civilização...
É claro: não posso dizer se estou aquém ou à frente do meu tempo... mas fui renegado, ignorado e abandonado, por não ser compreendido... e ainda assim, me mantenho indiferente às diferenças particulares, e indiferente a todo o ímpeto obsessivo de entendimento das maiorias ressentidas desta época... essas tão obcecadas por assimilação, identificação, controle, e subjugação...
Sou um "ser de outro planeta", que entende as coisas de maneira radicalmente reversa, [multiversa,] e que tentará reduzir as discrepâncias do valor ao total desvalor, o sentido ao nonsense, a soberba à baixeza, e seduzir toda linearidade à singularidade absoluta: isto é, à inevitável ordem cíclica de todos os fenômenos do cosmos.
Enfim, sou aquele que buscará saúde em todas áreas da vida, recusando-me à suposta necessidade de ser ajustado a uma sociedade profundamente doente.

Título da primeira versão: "Por que sou eu?... Por que estou?..."

terça-feira, 28 de junho de 2011

o inexistente

Estou a chegar nos meus 30... Nesses meus 26 anos de idade, nunca mergulhei tanto em reflexões elevadas a fim de buscar uma posição decisiva  frente aos conceitos formados oferecidos pelo mundo. Não buscando uma "verdade absoluta", como faz a maioria das pessoas... mas sim um estágio na vida em que não se pode e não há necessidade de voltar atrás; ou seja, uma Conclusão propriamente dita.

Percebamos: o mundo agora questiona sobre o que existe e o que não existe... na verdade, não questiona, mas busca as opiniões e os pontos-de-vista de seus "especialistas" para estabelecer uma noção irrevogável sobre tais proposições. Já não basta considerar o visível e palpável como exclusiva definição de Existência; tem que ser antes aprovado pela racionalidade "superior" dos estudiosos da Ciência. É como uma catraca linguística, um sistema burocrático que controla a mentalidade de todas as pessoas com a própria hipocrisia... E o pior é que a Existência passa, deste modo, a se submeter às leis mundanas... se vc discordar sobre o que os "especialistas" dizem "não existir", vc será "fora da lei", correndo o risco de ser esculachado, linchado, punido, apedrejado, excluído, abandonado... de sofrer bullying, etc...

Não se trata de um totalitarismo da Lei somente... mas antes, da própria significação... do signo, das identidades, por assim dizer. Se vc não formular conceitos, isto é, se escolher viver de modo nonsense, vc corre o risco de ser reduzido ao estatuto da loucura, e terá que se exilar ou no manicômio ou na prisão... Hahaha! É isso mesmo! Você é nonsense, mas automaticamente ganha uma definição... Quer algo mais insustentável do que isso??...

Essa condição é abrangente... pode ser interpretada em vários níveis das atividades humanas modernas. Vejamos: se vc não produz, se não trabalha, não vende, não compra, não "enriquece", não acumula... se não produz cultura... se não atribui significado... se não submete qualquer coisa a padrões mensuráveis, compreensíveis, definíveis... isto é, se vc não consegue reduzir tudo a "coisa", reificar, a fim de controlar, vc será então relegado à margem da sociedade... Vc não tem o direito de viver em silêncio, muito menos de seguir a vida sem os muros e as linhas sociais de separação entre dois lados opostos... Portanto, a Paz não lhe é de direito... nunca foi! Se vc pensa que neste mundo poderá experimentar Paz, vc está completamente iludido...

O que quero dizer com tudo isso?
Digo que a Paz não existe, pois ao se submeter à Lei, torna-se apenas uma ilusão de paz... Por sua vez, Liberdade, Felicidade e Justiça também não existem... o que temos hoje por essas palavras são meras ilusões.

Vc aí, caro leitor, imerso na ilusão do mundo, assim como eu, nos termos próprios da condição do existente, sabe que paz e justiça não se consegue sem antes trazê-las à existência. A própria História nos dá várias evidências disso... até mesmo o artesanato, o design: só criamos ferramentas e objetos úteis ao dia-dia se antes decidirmos conscientemente trazê-los à realidade, nos engajando em todo esforço necessário para tal.

Ouso dizer que só nos tornamos deuses de nossa própria criação; só podemos ser soberanos sobre aquilo que saiu de nossas próprias mãos. E agora chego ao ponto onde queria, enquanto refletia para desenvolver este texto: o grande problema do mundo, em pleno séc. XXI, são homens que se consideram soberanos a tudo e a todos... Querem sobrepujar a Natureza, o visível, o palpável, o material... querem controlá-la e sujeitá-la ao seu regime de poder... Para tanto, criou a Ciência, com o fito de sujeitar não apenas a Natureza, mas o Universo inteiro (juntamente com todas as criaturas viventes) da mesma forma: sob os mesmos padrões mensuráveis de existência... E isso, pelo menos para mim, é inaceitável!

O homem tem que morrer*, para experimentar a medida mínima de paz e justiça que todo homem procura... quanto à medida máxima, só cruzando a linha entre o existente e o inexistente.

Aliás, e o Universo? 
Peço, por gentileza, que vc se desprenda de seus paradigmas e conceitos formados sobre o que considera "vivente" e "existente". Pense de modo inverso sobre tudo ao seu redor; e eu agora proponho uma questão singular: se o Universo não é eterno, como a própria Ciência corrobora com a teoria do Big Bang; se teve um início, então, antes de tudo, era inexistente, certo? E vou mais longe: digo que, ontologicamente, não existe, pois não pensa. A máxima filosófica tão abraçada por toda a nossa cultura, afirmando "penso, logo existo", nos faz corroborar que os animais não existem, assim como o Mar, os Céus, a Terra e tudo o que neles há: nada existe se não puder pensar como o ser humano pensa... 

Mas eu não sou inteiramente adepto desta filosofia... 
Sou jovem... sei que tenho muito a aprender ainda, pois escolhi ser um eterno aprendiz. Essas questões estão resolvidas para mim (e não estou aqui me gabando por causa disso, que fique claro!)... 
Enquanto a Ciência faz uma tempestade em copo d'água, bastou-me interpretar o microcosmo, junto a todas as suas derivações, para ter um vislumbre sobre as razões do macrocosmo. Digo vislumbre porque só posso concluir, a priori, o seguinte: que nada, nem ninguém vem a existir sem passar pelo crivo de uma decisão consciente. Assim como tudo o que o ser humano cria e traz à existência: conhecimento, cultura, arte, técnica; o Universo foi também inexistente, e num dado momento, trazido à existência por uma grande consciência, superior em si mesma, e que está acima de tudo. Uma consciência que, muito provavelmente, foi instigada pelos enigmas que se lhe impuseram, ou foi ao menos impelida pelo seu próprio ímpeto de desvendar, de descobrir e de superar a si mesma, por meio do esclarecimento. Ou seja, uma consciência que, de repente, decidiu criar o Universo não pelas próprias mãos, mas pelo Verbo: "que haja luz", e num lampejo, tudo lhe foi desvendado e esclarecido.

É como eu mesmo, aqui, redigindo este texto: estou criando pelo verbo, afinal... 
É como na astrofísica a respeito da Singularidade: o oposto de um Buraco Negro, emitindo luz e matéria em pontos aleatórios do universo afora; porém tão letal quanto seu oposto...
É como o amor incondicional: capaz de tudo, sem esperar nada em troca... capaz de simplesmente explodir do nada, assim como no Big Bang...

Aliás, a própria Ciência nos mostra que, antes de qualquer corpo aparecer no Universo, ocorre uma grande explosão; o ser humano também não escapa: antes de ele surgir, na sucessão evolutiva das espécies, precisou que um asteróide atingisse o planeta, devastando quase todas as espécies jurássicas, a fim de garantir ao macaco um lugar ao sol... Tudo isso é verdade. Tudo isso existiu de fato... Não estou sendo sarcástico, muito menos tentando invalidar a Ciência... Mas tudo isso são provas de que essa Consciência Superior transcende não apenas a nós, meros mortais, mas a todo o âmbito da Existência. É a linha entre o existente e o inexistente. Diante dela, não adianta estabelecer uma "verdade absoluta" sobre o que existe e o que não deve existir; seria como dois palhaços dizendo "blablabla", discutindo assuntos vãos... e a maioria dos cientistas e dos filósofos é assim, infelizmente.

A capacidade de tornar-se visível ou invisível, alternando-se nestas condições em momentos apropriados; a tecnologia para tal (como a dos objetos voadores não identificados, de estudo da Ufologia), ou a capacidade para subverter as leis da física livremente, só pode ser algo nonsense em si mesmo... A capacidade de cruzar a linha entre o existente e o inexistente; o livre transitar entre tais condições.

Alguns diriam "ah! mas isso não é estar 'em cima do muro'??? NÃO! ...ninguém pode ficar em cima do muro!"... Eu, porém, digo que escolho imitar a esta grande Consciência; escolho ficar não de um lado, nem de outro, nem "em cima do muro"... Escolho ser, entre todos os meus semelhantes, um eterno aprendiz, não querendo ser um "mestre", muito menos ser chamado de tal; sem deixar, é claro, de imitar a esta Consciência Superior: o mestre de todos nós; tomá-lo como meu maior diretor, e Mestre de fato. Para o Mestre, muro não há! Se, para nós, existem muros, devemos então destruí-los, não sustentá-los... 

Creio que há um propósito para existirmos neste mundo: o de um aprendizado contínuo, cíclico; um processo de evolução tanto darwiniano quanto transcendente, pelo qual nos encontramos agora, se não for no último estágio, é talvez no penúltimo; sendo então o próximo estágio a capacidade de existir e não-existir simultaneamente. O ser humano não pode ser o último estágio na Evolução... Estaremos aptos a cruzar a linha da Existência tão facilmente como piscar os olhos... Uma capacidade que, porém, só será conferida a todos aqueles que fizerem o bastante por merecê-la... Condição pela qual vamos finalmente experimentar a verdadeira paz.

– Nota do autor: 
O texto sofreu várias correções, em pequenos detalhes, após sua primeira publicação... Assim como todos os outros posts do blog, desde o primeiro, este necessita de ainda mais revisões... Peço ao leitor que desconsidere sentenças mal formuladas sintaticamente, mas que esteja atento para o fato de que podem prejudicar o entendimento adequado das idéias desenvolvidas. Para além, não sinta-se forçado(a) a concordar comigo... não é o que pretendo com este post...

Em cor cinza, palavas e/ou sentenças que modifiquei, ou acrescentei, para reduzir margens de erro sintático e/ou semântico, e melhorar o entendimento de tudo.

Obrigado por ler!

sábado, 21 de maio de 2011

Ateus e Religiosos: os dois lados da mesma moeda...

– Aqui são comentários que postei, durante esta semana, no blog Paulopes Weblog. 
... É uma produção textual minha que acabou ficando boa, por isso reposto aqui, no meu "blog"... 
Discuti com ateus e religiosos acerca de questões como o "sentido da existência", e a credibilidade da bíblia cristã: sua "autoria" e sua "autenticidade histórica"... Questões sobre as quais "não dou a mínima"... mas que consigo fazer frente, e analisar com críticas pertinentes.
Procurei ser imparcial em minhas considerações, de modo a torná-las ponderáveis tanto para ateus quanto para religiosos (quanto a mim, não me considero nem um, nem outro... sou indefinível).
– Fontes: 


Nathan disse...

bem, enquanto religiosos e ateus (que também são religiosos, sem perceber...) ficam aí jogando pedras uns nos outros, eu gostaria de expressar aqui minha livre opinião para a interessante matéria postada, além de alertar aos imaturos de pensamento e coração (Fernando e demais Anônimos) que é melhor para o indivíduo não fazer parte de militâncias, ou ser adepto de partidos, ideologias, tribos urbanas, etc... é melhor estar na imparcialidade do que participar, verbal ou fisicamente, de agressões gratuitas. Afinal "somente os orcs brigam entre si"...

Eu respeito a opinião de Hawkins, admiro o cientista... respeito também as opiniões dos ateus Anonimos...
Hawkins tem uma inteligência digna de ser creditada, e afirmações que valham [valem] uma ponderação livre de fanatismos por parte do leitor. Afinal, os únicos músculos que este homem exercita são os do cérebro! Gosto disso!
Porém, ele chega a cair na armadilha da própria racionalidade, ao tentar explicar a existência das coisas com base em constructos ideológicos criados pelo próprio ser humano...
Se Hawkins quer mesmo "entender" o sentido da existência, ele terá que EXPERIMENTAR, ou seja, terá que morrer e retornar à existência, para conseguir solucionar as incógnitas, amarrar as pontas, e equilibrar as equações, sem deixar margens para hipóteses...
E eu não acredito... EU SEI que, quando Hawkins morrer, vai mudar totalmente seus "conceitos", vai revê-los!
Afinal, REVERSIBILIDADE é uma constante em todo o Universo!

o problema de vcs aí brigando não é "crer ou não crer, eis a questão"... muito pelo contrário: é a paranoia do "real", do palpável, do visível, do calculável, controlável, etc... Uma grande, e infelizmente muito arraigada, PARANOIA!

Nathan disse...

[– Em resposta a] Fernando SEMPRE A LUZ DA BÍBLIA - 17/05/11 01:25
Sim Fernando! Foi o que Jesus fez!
Mas eu não quis dizer no sentido cristão da "experiência"... Apenas usei a mesma lógica que os ateus usam em seus argumentos... É inútil vc se deixar incomodar com o que esses caras dizem... O problema é todo deles!
Agora, se vc, Fernando, é um homem temente a Deus, guarde isso para vc mesmo, em sua intimidade com o Pai, somente... assim como também Jó se mantinha: o tempo inteiro indiferente a críticas e racionalismos de terceiros...
Não adianta mais usar os versículos da Bíblia (pelo menos, não diretamente) para "discutir" com esses caras... Vc tem que lhes DEVOLVER COM A MESMA MOEDA... é o que eu faço! Afinal, são apenas palavras... e palavras são o sistema "monetário" mais primórdio de todos na nossa história...
Eu, linguistica/semioticamente, dou "a Cezar o que é de Cezar". O mundo de hoje dá mais valor a meras palavras do que ao ser humano em si... essa é a grande doença da nossa sociedade... Se vc fala alguma coisa, a pessoa vai se sentir magoada, ofendida, destituída de seus "direitos", e vai começar a revidar tudo... ela começa a julgar e atirar pedras...

Vc tem que mostrar a eles que a Bíblia não é religião, nunca foi... que Deus não existe (pois é o criador da existência), que a realidade é uma ilusão, que o visível veio do invisível (como admitem os próprios cientistas...), que o material veio do imaterial, que a física vem da metafísica, que Deus é ateu (afinal, Ele não acredita em deuses!), que Jesus foi, ao mesmo tempo, o maior ateu, o maior cientista, o homem mais feminista [isto é, o maior precursor do feminismo], o mais inteligente, e o mais "realista" de todos!
Ele desceu e tornou-se humano, para depois voltar à condição orginal, divina. Condição à qual, se merecer, todo o resto da humanidade voltará... inclusive Hawkins (acredito que ele merece!)...


Nathan disse...

pergunta que não quer calar!!

- Como ateus e agnósticos conseguem ser fanáticos (portanto, religiosos)??

1º... buscando a Verdade Absoluta, ou seja, eles são Absolutistas e querem o TOTALITARISMO do conhecimento e do significado. O que eu poderia chamar de Fascismo Semiótico [Fascismo Linguístico/Sígnico/Semiótico]: regimento político, econômico, social e psicológico dos tempos atuais... [é isso mesmo... o fascismo continua... e é dominante no ambiente urbano metropolitano...]

2º... buscando "evidências" palpáveis, visíveis, mas se esquecendo de algo que mesmo cientistas admitem: que o próprio Universo veio do invisível, do INEXISTENTE, de uma "outra dimensão", "de uma quarta dimensão", "desconhecida", etc... ¬¬

3º... adorando imagens (idolatria) de deuses modernos: Hawkins, Einstein, Sagan, Ehrman, etc... considerando estes como os "seres mais inteligentes do planeta"... ¬¬

4º... discriminando o indivíduo que "pensa diferente" deles, como o gnóstico, o deísta, o cristão, o "crente", etc. É o que eu chamo de "idéia-racismo"... ou, para usar um neologismo do mais alto nível crítico e criativo de mister George Orwell: "idéiacrime", rs!

5... apegando-se a objetos de prova, isto é, objetos de culto... Ateus e agnosticos vivem em função de objetos de prova, assim como religiosos vivem em função de objetos de idolatria (esculturas, amuletos, peças de roupas, etc), assim como o burguês idolatra o lucro, o capital, o "progresso", o dinheiro, o bem-material, etc, etc....
Acreditam apenas no que vêem e reverenciam isso... Reverenciam a ILUSÃO...

portanto, 5 razões, e 5 sintomas do indivíduo tomado de ressentimento, insatisfação, insegurança e de um brio desafiado, provocado provocado, desafiado pela maior máxima, o maior desafio "imposto" sobre todo e qualquer ser humano: "amar o próximo como a ti mesmo". Um desafio milenar e que não se restringe à Bíblia, percorrendo várias outras religiões no mundo inteiro... desafio ao qual dificilmente consegue dar conta...

Nathan disse...

ok, sr Anônimo... concordo com vc (e veja bem, eu tenho a capacidade de concordar com alguém que "pensa diferente" de mim, rs!), quando diz que religiosos são os historicamente culpados pela discriminação. Religiosos são assim: interpretam o mundo conforme o aparelho (conceito, ideologia, ponto de vista, etc) que usam para tal, se apegam a isso, adotando como "verdade absoluta", rejeitando  e desprezam qualquer outro indivíduo que usar use um aparelho diferente...

portanto, eu não inverto o ônus da culpa*... admito que também sou culpado, pois sou "crente", sou pecador, sou burguês também (estou aqui, confortável, consultando as "mídias sócio-virtuais", enquanto muitos não têm sequer condições pra isso)...

MAS... as pessoas mudam, meu caro! Quem não muda, não evolui... As coisas se invertem, se REVERTEM.
O homem cristão passou mais de 2000 anos aprendendo a ser um VERDADEIRO cristão. Agora, ele sabe que ser cristão NÃO É SER RELIGIOSO, mas sim: amar o próximo como a si mesmo; não fazer com o outro o que não quer para si; e fazer pelo outro sem esperar nada em troca.
O Amor é o princípio de toda a espiritualidade do ser humano. 
Porém, hoje em dia, surgem militâncias em prol de uma vida sem espiritualidade... em prol de machismos e feminismos, e sem temor ou respeito àquilo que lhes foge à explicação...

portanto, para mim, isso já está evidente ha muito tempo: militantes do Ateísmo (ou de todos os "ismos", isto é, classes/classificações, ideologias/religiões...) caem na armadilha da própria racionalidade, e se tornam aquilo que repudiam... assim como crentes se tornam pecadores...
afinal, como diria Jean Baudrillard, "c'est la réversibilité" - "é a REVERSIBILIDADE"
*[certamente, eu não jogo ping-pong com a bola da culpa... como quis fazer o postante Anônimo... ¬¬]

sexta-feira, 22 de abril de 2011

artigo do meu(nosso) TCC - 2010

– Hey, estou apenas postando o artigo do TCC que meus colegas e eu desenvolvemos em 2010. Este documento foi inteiramente dissertado, redigido e revisado por mim. A pesquisa teórica que lhe deu base consistiu de aproximadamente 60 páginas, com alguns capítulos tendo sido produzidos por outros 3 integrantes do grupo. 
Antes desta pesquisa, a reunião de materiais bibliográficos e referenciais diversos, bem como todo o período de brainstorm, contou com a contribuição de todos os 7 integrantes do grupo. Mas devo ressaltar que a linha de raciocínio, a argumentação, e a criatividade exercida neste trabalho foi de influência majoritariamente minha. É por esse motivo que o exponho aqui, no meu "ghost-blog"! 
– Só hoje eu resolvi fazer isso... afinal, não me importo em ser um blogueiro assíduo, o que explica meus posts tão tardios.
:)


DOPPEL: Identidade e Sociabilidade no Ciberespaço

- Resumo -
Doppel é um projeto de design em interatividade experimental que explora o conceito da afirmação de identidade como simulacro – um duplo substituto do indivíduo destituído de seus valores originais, submetido a uma condição de morte que corresponde às visões criticas de autores como Jean Baudrillard e Adolfo Bioy Casares. Com isso, propõe então uma experiência digital on-line baseada na desconstrução do avatar e na forma de identidade como um demiurgo (ou anonimato), na perspectiva de fazer o público interator [usuário] experimentar uma nova maneira de encarar o ciberespaço e de entender a si mesmo, experimentando estética e cognitivamente formas de interação não convencionais.
Palavras-chaves: simulacro, identidade, morte.


DOPPEL: Identity and Sociability in Cyberspace

- Abstract -
Doppel is a design project in experimental interactivity that explores the concept of affirmation of identity as a simulacrum – a double replacement of the individual devoid of his/her original values, submitted to a condition of death that corresponds to the critical views of authors such as Jean Baudrillard and Adolfo Bioy Casares. Then proposes a digital online experience based on the deconstruction of the avatar and in the form of identity as a demiurge (or anonymous), relying on the perspective of making the public interactor to experience a new way of looking at cyberspace and to understand his/herself, experiencing aesthetic and cognitively forms of interaction outside the conventions.
Keywords: simulacrum, identity, death.


– Versão completa: 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

por que?

– Este texto é um comentário que fiz para um post do blog Sedentário Hiperativo. A matéria completa está aqui:
http://www.sedentario.org/colunas/teoria-da-conspiracao/existem-mulheres-estupraveis-39350
– em colchetes, eventuais correções ou sentenças que acrescentei aqui, neste meu "desert-blog"...


ok, então, a questão por trás de tudo o que foi discutido aqui é a seguinte:
- Por que o ser humano está ficando cada vez mais demente e fora de controle, rumo à autodestruição?
Vestígios para a compreensão disso estão há milênios atrás… é como uma bola de neve que foi crescendo até chegar ao absurdo dos nossos dias.
Explicarei: o homem está ficando demente, apegando-se a meras ideologias (isto é, religiões, todas elas), perdendo o controle de seus impulsos libidinosos e entregando-se à pulsão de morte, porque, num dado momento/período da história, decidiu rejeitar tudo que pudesse lhe refrear seus processos mentais, desejos e impulsos interiores.
Ele decidiu acreditar apenas no que vê, fazendo vista grossa para o fato universal de que tudo que é visível veio do invisível, e para a invisibilidade retornará. Preferiu dar valor e significado à vida (por isso as religiões…), e fugir da morte a qualquer custo, esquecendo-se de que todo material veio do imaterial, toda vida origina-se do pó, e ao pó retornará, assim como o material está fadado ao imaterial e à completa invisibilidade… O sujeito passou a dar valor maior aos seus desejos, satisfações, a seu “bem-estar”, a seus bens materiais, a status, à sua acumulação de riquezas, poder, concentrar e acumular, sem dar conta do residual que sobra de tudo isso e sem se dar conta de que todo valor concentrado nas mãos de poucos sempre tende a reduzir-se a zero. Afinal, a equação equilibrada é de resto zero, ou seja, sem sobras, sem resíduos… Nada deve sobrar, nada deve restar, nada deve se concentrar, mas sim dividir-se, espalhar-se, repartir-se, compartilhar-se, desfazer-se, desaparecer… morrer…
Nada deve “valer”, mas sim reduzir-se a total desvalor, sobretudo o que sai das mãos do homem, o que ele cria e o que tenta rogar para isso valor maior.
O ser humano esqueceu-se que deve atribuir significado não para a vida, mas sim para a morte, e viver a vida sem sentido. É o que se fazia nas sociedades tribais antigas, até o advento da escrita linear, do código, do pensamento iluminista e da Revolução Industrial. A partir de então, o ser humano passou a viver em função de seu orgulho individual somente, e começou a entrar num processo cada vez mais grave de descontrole, sem saber lidar com tudo que acumulou como cultura, conhecimento, sem saber reduzir tudo a pó… sem aprender “a arte do desapego”. [No passado distante, o indivíduo vivia em prol da tribo/comunidade, não de si mesmo apenas... Dava-se festa para os que morreram, não para vivos. Não havia luto (pelo menos, não tão paranóico como o atual), não havia cemitérios, nem medo de espectros noturnos, sequer fantasmas... O indivíduo tinha uma relação mais próxima e íntima com os mortos... diferente de hoje, quando só se quer evitar e distanciar os mortos dos vivos...]
É por isso que agora vemos o homem destruir a mulher (o machista), a mulher destruir o homem (o/a feminista), e destruir-se a si mesmo, negando sua própria origem, por “puro” e simples prazer.
Ele agora vive em função de prazer sexual, de agrados, de satisfações, de apetites, de respeito, de reconhecimento, méritos, posses… de retornos, recompensas, de dar e receber “em troca”…. E para isso, nada melhor do que considerar tudo como “objeto de troca”, até o próprio ser humano em si.
Agora quer aliviar seus remorços com a ideologia da Sustentabilidade, quando na verdade, já está imerso numa completa Insustentabilidade há seculos, sem conseguir sair disso. Não consegue mais se sustentar, e não consegue mais dar conta de seus resíduos, [seu lixo] e seu “conhecimento” acumulado…
Estamos agora generalizando a demência, a insanidade, a perversão, a promiscuidade, e instituindo a própria loucura como princípio de cidadania e poder estatal… a loucura virou “princípio de realidade”, [virou "realidade integral"]
CONCLUSÃO
Devemos agora aprender a reduzir a zero todo valor acumulado, eliminar todo o [residual], ["igualar as diferenças"], calar a boca, ouvir mais e falar menos, aprender mais e julgar menos, fazer mais pelo próximo do que para si mesmo, e dar significado para a morte, vivendo a vida sem sentido certo ou “absoluto”… Apenas uma minoria muito ínfima consegue viver assim, sem medo da morte, morrendo e renascendo diariamente, por isso, estando longe de serem machistas, feministas, idealistas, religiosos, políticos, cientistas, etc, etc…
E é essa minoria que conseguirá ir além da vida e da morte, e experimentar o que jamais viu, ouviu, ou o que sequer já penetrou em coração humano… pois “muitos são chamados, poucos são os escolhidos”.
ps.: fique à vontade… faça seus “comentários”….

sábado, 2 de abril de 2011

desabafo


Eu cansei e já estou farto de muitas coisas... 
Cansei de julgar as aparências, cansei de tentar aceitar as pessoas só por suas qualidades. Cansei de me adaptar, de me "encaixar" às convenções sociais, ao que as pessoas pensam ser "felicidade", "liberdade",  "justiça", "direitos garantidos", "riqueza", "bem-estar"... Cansei de ter que só agradar, de ser agradado, de respeitar e ser respeitado, de me importar com o que dizem, com o que pensam... Já não me importo mais com gostos, preferências, pontos de vista, opiniões, comentários, depoimentos, posts, etc...
Cansei do paradigma "dívida/pagamento", de esperar alguma coisa "em troca" das pessoas... Cansei de confiar no ser humano, em suas promessas, em suas boas ou más intenções...
Não espero mais nada de ninguém... escolho agora fazer as coisas sem esperar nada em troca, sem esperar retribuição, respeito, reconhecimento, atenção... Chega de trocar economicamente com as pessoas. É insustentável...
Cansei da ideologia da Privacidade, da Propriedade Privada, de esconder as coisas erradas que eu fiz sob o pretexto da Privacidade... Não quero ter mais nada a esconder... 
É insustentável a ideologia da "preservação da vida a qualquer custo", de considerar a morte como algo ruim (não que seja necessariamente bom), ou separada de mim no tempo e no espaço... 
Aprendi que devemos buscar significado não para a vida, mas sim para a morte.
Aprendi que o indivíduo tem que ser aceito por seus defeitos, não pelas qualidades, pois são eles que permitem à pessoa ser quem realmente é, assim como sua própria impressão digital: diferente, singular. A pessoa tem que ser aceita por sua singularidade de ser e existir, sua incompreensibilidade inerente, o nonsense inerente a todos nós, aos fatos, aos fenômenos, e à própria Natureza.

Não me agrade, não me respeite...
xingue-me, julgue-me, critique-me, enfrente-me, desafie-me... crucifique-me...
Demagogia? Não, cansei de ser demagogo também. 
Fique à vontade para fazer o que quiser, mesmo não sabendo o que faz...

Derrotado?? Não, muito pelo contrário!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

π... devaneios e "loucuras" recentes...




Certa vez, li uma matéria (agora fugindo um pouco do assunto... ou talvez não...) num site bem underground, dizendo que o Terceiro Reich fazia pesquisas com tecnologia alienígena. A matéria levantava uma hipótese muito ousada, dizendo que os remanescentes do partido de Hitler se exilaram na Antártida, onde continuaram com pesquisas tecnológicas até hoje, mantendo contatos constantes com civilizações alienígenas, além de terem superado o fascismo, adotando uma maneira de viver mais lúcida e evolutiva. Tudo isso e ainda mais explicavam expondo no site imagens e materiais interessantíssimos daquela época. Com tais, explicavam também a possibilidade de terem descoberto a tecnologia anti-gravidade dos discos voadores, que se consistia basicamente de dois elementos químicos em reação no centro, causando a rotação de dois discos (um em cima e outro embaixo... não sei de que materiais...), em sentidos contrários cada, e em movimento-perpétuo... Transformando assim a nave num sistema independente da gravidade da Terra.


Bem, é claro que isso tudo não passa de uma viagem bem duvidosa em todos os sentidos... Mas o site apresentava documentos e imagens MUITO intrigantes....
Com isso, apenas pretendo lhes despertar curiosidade quanto ao caráter enigmático do movimento circular em si... Um enigma universal que inspirou até Carl Sagan a escrever a ficção "Contato".
Pi (π) é uma constante chamada não só de "irracional", mas também "transcendental"... Um número que custa até aos computadores avançados de hoje a fornecerem dados mais consistentes...


Sou leitor da Bíblia, sigo o Evangelho. Mas estou longe de ser fanático... tenho mente aberta a assuntos dos mais delicados, misteriosos e controversos. Nada me incomoda, rs!
Na Bíblia, podemos encontrar essa constante em descrições muito sutis... Vários relatos dela tratam de quantidades e acontecimentos que giram em torno do número 3 e dos múltiplos de 7... Muitas sentenças são “circulares”, e sugerem a independência ontológica desta relação. Por exemplo: "o amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor ". E para elevar o assunto a patamares mais surreais, Jesus disse: "... eu vim para cumprir a lei..."
Com tais observações, interpreto o valor de Pi de um modo bem "maluco" (para os cientistas e matemáticos, eu presumo...): há alguma relação do círculo com o Amor, e com tudo que é relatado na Bíblia... de Gênesis a Apocalipse... Não posso dizer que sou perito em matemática, física ou teologia para criticar tais assuntos do modo mais realista possível. Mas, pelo menos, aprendi coisas essenciais e universais: que o Amor é um dom poderoso que foi concedido à espécie humana. É o mais independente de todos os outros... o mais livre e transcendental... É capaz de explodir a partir do nada... ah! se é!!... Assim como a Singularidade ocorrendo em pontos aleatórios espaço sideral afora... o oposto de um buraco negro... ou como supernova emitindo luz, energia e traços primórdios de vida... É o que confere liberdade (pois cumpre a lei) e super-poderes aos humanos. O horizonte de nossas descobertas!


Em suma, o Amor é o centro do círculo... Tão transcendente e constante como 3,14. A própria Bíblia e até a Kabala que o digam...
“Podes tu fazer aparecer os signos do Zodíaco a seu tempo; ou guiar a Ursa com seus filhos? Sabes tu as ordenanças dos céus, podes estabelecer a sua influência sobre a terra?” (Jó 38:32,33)
Mas... ainda ficam mais questões... Como os discos voadores podem voar de maneira tão livre e independente?... Duvido que seres alienígenas bizarros e cabeçudos possam saber mais do que nós sobre o Amor... Será que os humanos emitem tanta luz, que acaba forçando os ETs a usarem uma película preta nos olhos?... Ou será que Nikola Tesla foi o inventor dessas naves, e os seres supostamente alienígenas são resultados de experiências genéticas, feitas pelos nossos próprios cientistas?

sábado, 2 de janeiro de 2010

sobre ciborgues, cibernética e arte contemporânea

– Este é um relatório de leitura que fiz em 28/10/2009, para a disciplina optativa de Poéticas Contemporâneas, ministrada pelo professor José Minerini. Primeiramente exponho meu entendimento sobre o texto "Homem artista, deus criador ou feiticeiro ciborgue?", da autora Suzete Venturelli e em seguida, a partir do sétimo parágrafo, ofereço uma analise crítica minha sobre os assuntos discutidos, valendo-me do repertório que obtive no decorrer de minha graduação.


“Homem artista, deus criador ou feiticeiro ciborgue?” ¹
Com as analises de Venturelli pude entender que o impacto da tecnologia computacional na vida humana está transformando sua vivência e seu pensamento de um modo tão profundo que por vezes escapa de nossa percepção. A autora inicia seu discurso pelo conceito de “sujeito”, fundamentando com princípios estudados em várias áreas do conhecimento. O sujeito, ou a subjetividade do ser humano, bem como sua inteligência, são fatores determinados pela sua capacidade de auto organizar-se a partir de sua experiência com o meio e pelo pensamento complexo que desenvolveu em sua evolução, capaz de relacionar conceitos que se opõem, a fim de chegar a uma conclusão.
São estas características da definição de sujeito que observei nas indagações de Venturelli quanto à relação do ser humano com as máquinas: se a máquina está imitando cada vez melhor o ser humano, ou se os humanos estão conseguindo inventar novos seres, novas criaturas, ou uma nova manifestação de sujeito. O mundo cibernético é regido por processos lógico-matemáticos que permitem simular virtualmente entidades inteligentes que se auto-organizam e se regeneram segundo as informações que obtêm de sua interação com o meio cibernético (ou o “espaço virtual”).
Quanto às manifestações artísticas que têm surgido na abordagem da cibernética, entendi que a arte se utiliza dos métodos científicos e das tecnologias computacionais para mostrar uma reflexão crítica das polêmicas que surgem do impacto dessas tecnologias e da evolução da ciência na vida do ser humano. Em outras palavras, trata-se do que, se antes era visto como ficção-científica, em nossos dias tem se tornando cada vez mais realidade. Daí a discussão sobre o conceito de ciborgue como algo que é refletido na realidade das relações humanas contemporâneas, sobretudo de suas modificações biotecnológicas. Nestes termos, também podemos entender que o corpo humano deixa de ser considerado, na realidade, um organismo único, imutável, dotado de emoções e sensações. Com a evolução da cibernética, surge a questão de que o homem é dependente das máquinas, de suas próprias criaturas artificiais, imagéticas ou objetos e aparelhos diversos; ou de que sujeito e objeto agora podem se unir.
Quanto à questão formal da arte cibernética, Venturelli verifica que os seres virtuais inteligentes, com a sua capacidade de se auto-organizar, de se regenerar e de se reproduzir, também conseguem produzir formas aleatórias, sempre diferentes, assim nos revelando uma forma artística de caráter aberto e emergente.
Numa visão ainda mais abrangente, Venturelli indaga se os humanos conseguiram fazer da arte consciente de sua própria autonomia. Para isso, as tecnologias cibernéticas deveriam gerar vida artificial capaz de conceber sua subjetividade; de pensar e de intuir sua própria existência. Isso ainda não é realidade, pois a vida artificial ainda está num estágio inicial de evolução, dotada apenas de pensamento inteligente, o que se opõe à reflexão da condição humana, em que o homem, desde quando nasce, concebe sua existência antes de pensar. Os recursos da cibernética ainda funcionam como extensores das atividades tanto mentais quanto corporais do homem, desenvolvidos sob os critérios principais de comunicação, de operação em meios eletrônicos informatizados e acesso a grandes quantidades de informação.
Outra análise interessante de Venturelli é ver o ciborgue como uma entidade híbrida do homem com as imagens, ou um indício dos prazeres que surgem ao estreitar a realidade vivida com as imagens fantásticas, míticas, ou com todo o mundo imaterial da cultura; prazeres estes que se originam do caráter da imagem como um “vetor de comunhão”, ao projetar nossa subjetividade para além de nós mesmos, num ambiente exterior, ou seja, o espaço cibernético que criamos para nos comunicarmos. É então nesta discussão que pude entender o conceito de “feiticeiro ciborgue” sugerido pela autora, pois este hibridismo do homem com suas próprias criações artificiais, ou com a própria cultura da imagem, vem proporcionar meios de experiências que lhe transcendem, onde o ser humano se vê em comunhão com as entidades eternizadas de sua própria produção cultural e artística, de seu imaginário, ao imergir em ambientes virtuais.
Devo aqui deixar em paralelo a minha própria visão sobre as questões da cibernética e do ciborgue. Concordo que o ciborgue deixa cada vez mais o mundo da ficção-científica, à medida que vemos pessoas introduzindo aparatos eletrônicos em seu corpo, seja para continuar a viver com órgãos sintéticos (exemplos: o coração artificial, aparelhos auditivos, membros mecânicos, ou até o aparelho injetor de insulina automático, substituindo o pâncreas deficiente dos diabéticos...) ou para aprimorar sua vivência social, profissional e suas relações econômicas, administrando quantidades de informação muito além da capacidade natural do cérebro, valendo-se então das memórias eletrônicas desenvolvidas pela indústria de hardwares. Isso não deixa de ser uma superação de vários problemas humanos, que só pôde ser alcançada com a evolução tecnológica, trazendo vantagens que antes eram apenas vislumbradas pelo imaginário.
A partir de meus estudos anteriores no próprio meio acadêmico; lendo livros relacionados a essas questões; conversando com amigos e professores, além do conhecimento que obtive nas disciplinas de Estética, História do Design e Design Contemporâneo, eu devo esclarecer que não vejo a condição ciborgue como uma evolução da espécie humana.
Certamente, é sim um exemplo evidente do que tem sido discutido sobre o ser “pós-humano”, com suas qualidades elevadas pela biotecnologia. Porém, o ciborgue em si, ou o ser pós-humano, não é uma evolução, mas sim uma ruptura com ela. A meu ver, o ser humano deve evoluir física, social e culturalmente sem contradizer sua própria natureza, sua essência...
Devemos também perscrutar as questões espirituais, que em nossos dias voltaram a ser investigadas no meio intelectual de maneira inédita. Nesta visão, podemos questionar como evoluirmos sem dependermos da nossa própria produção cultural, dos objetos, ou mesmo sem precisarmos introduzir os produtos da tecnologia em nosso corpo, subvertendo nossa pele e nossa essência.
Quanto mais dependermos de nossas criações, quanto mais nos rodearmos com a artificialidade da cultura material ou das imagens idolatráveis da indústria cultural; ou quanto mais cercearmos nossas vidas com os sistemas impostos à sociedade pelo capitalismo, pela burocracia e pelas engrenagens da indústria, mais nos distanciamos de nossa vivência concreta com o mundo natural que nos deu origem.
Isso já foi concebido no meio filosófico como a chamada “dialética interna da cultura” (FLUSSER, 2007)², observando que, apesar de a cultura ter evoluído as condições de relacionamento interpessoal, bem como a civilização humana como um todo, ela impõe obstáculos entre o homem e a realidade. A própria etimologia da palavra “objeto” pressupõe “objeção”, “obstáculo”, ou “problema”, mesmo quando desenvolvemos objetos de uso, por mais funcionais e perfeitos que possam ser. Por estes motivos, o homem se distancia da realidade natural (ou até da sobrenatural...) quanto mais se apega aos paradigmas do pensamento racional, lógico e científico, nestes se acomodando, sem observar criticamente as conseqüências.

¹ VENTURELLI, Suzete. Homem artista, deus criador ou feiticeiro ciborgue? in DOMINGUES, Diana (org.). Arte e vida no século XXI: tecnologia, ciência e criatividade. São Paulo: Editora UNESP, 2003, p. 333-344.
² FLUSSER, Vilém. Mundo Codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. São Paulo: Editora Cosac Naify, 2007,m 222 p.

domingo, 6 de setembro de 2009

S.O.E. - um novo conceito de interface digital

– Este é um texto que produzi para uma tarefa da faculdade, na disciplina Design de Interface, ministrada pela professora Helena Sordili. A proposta foi idealizar novas metáforas para as interfaces comuns do computador.
Comentários e sugestões de todo tipo são muito bem vindos.


SISTEMA OPERACIONAL ESTELAR

a
transição do Desktop para o Espaço Intergaláctico de Trabalho.

o modelo mais convencionado de interfaceamento dos sistemas operacionais Windows ou Mac não permite uma visão abrangente dos “objetos” armazenados no computador (os arquivos). São objetos porque derivam da metáfora do escritório de trabalho, com escrivaninha, gavetas, papéis e acessórios em geral que implicam na prática da organização de documentos e materiais da mídia impressa. O ponto de partida do usuário é necessariamente a escrivaninha, onde ele apenas se vale de determinados elementos para a operação de seu trabalho. Isso limita a visualização de todos os seus recursos, sem uma visão abrangente que possibilite seu conhecimento espacial (ou a localização) de todos os documentos e ferramentas armazenados e disponíveis em seu sistema. Muitos dos arquivos ficam “escondidos”, pois muitas pastas e subpastas podem anteceder o encontro de um ponto específico do sistema, e a visualização em metáfora de janelas força o usuário a percorrer esse caminho em seções separadas e estáticas.
A metáfora do Desktop pressupõe interações geralmente literárias, ou seja, com os signos e sistemas simbólicos da linguagem escrita, onde podemos verificar uma contradição frente ao novo modo de viver e pensar imagético que cada vez mais é condicionado em nossa vivência diária, na operação com meios virtuais, ou na imersão em ambientes que demandam a facilidade de relacionarmos com a não-linearidade das imagens, ou melhor, da experiência visual.
Com o propósito de resolver tal problema de maneira totalmente diferente, poderíamos mudar essas metáforas, adotando uma visão inteiramente espacial e tridimensional do Sistema Operacional (S.O.). Por isso concebi a metáfora baseada no Espaço Intergaláctico.
Este novo S.O. funcionaria permitindo a interatividade com os objetos que são gerados pelo computador (basicamente os arquivos), de modo a representá-los como estrelas, espalhadas na escuridão do espaço. Essa escuridão contrastaria com os objetos luminosos, lhes dando mais evidência, sobre os quais não precisaríamos nos preocupar com uma organização sistemática. Podemos simplesmente espalhá-los no espaço, e a organização de categorias e níveis hierárquicos de tais objetos poderia ser efetuada por “nebulosas”, de cores e tonalidades diferentes, associadas a significados pré-estabelecidos no programa, dados ao conhecimento prévio do usuário. Essas nebulosas corresponderiam ao conjunto de objetos, envolvendo-os na área do espaço onde estão localizados.
Os “arquivos” agora são substituídos pelo conceito de “estrelas”, a “pasta” pelo de “galáxia”, a “subpasta” pelo de “sistema solar”, e a “lixeira” pelo de “buraco negro”. As “janelas” já não são mais necessárias...
Todos os objetos podem ser vistos de uma vez só, sem precisar navegar painel por painel estático. Para o usuário saber qual pasta/galáxia está sendo explorada, uma galáxia espiral é animada no espaço, sendo os seus braços curvos estendidos os seguimentos dos corpos solares (o sol significando a subpasta), que, com sua luz intensificada, sinaliza a ativação da área que está sendo acessada (ou explorada) pelo usuário. Todos os objetos armazenados no computador são apenas vislumbrados como uma paisagem de estrelas distantes (pontos menores de luz mais fraca), resultado do efeito de profundidade dos gráficos 3D do S.O..
A visualização dessa interface é semelhante ao próprio céu noturno, onde a interatividade simula a possibilidade do usuário tocar nas estrelas, arrastá-las para onde quiser ou deletá-las no buraco negro. A interface de um determinado programa instalado no computador, com sua devida identidade visual e ferramentas, é mostrada em tela cheia, mas não necessariamente baseada na metáfora estelar, ficando a critério livre dos desenvolvedores destes programas. O espaço para os botões e menus de ferramentas desses programas seria ampliado, já que não precisamos mais da metáfora de “janela”.
O usuário pode também ativar um recurso que mostra a funcionalidade de arquivos/estrelas executáveis (.EXE), destacando graficamente uma rede de interligações destes arquivos com suas devidas extensões (.DLL, .TTF, etc.), quais executáveis estão ocupando muita atividade de processamento da CPU, os atalhos destes arquivos/estrelas, e até os fragmentos de arquivos (também representados como estrelas, ou como “poeira estelar”).
Apesar da aparência sem organização espacial dessa interface, as “nebulosas” fazem toda a diferença, delimitando as porções de arquivos/estrelas que pertencem a determinada pasta/galáxia raiz, ou a determinado programa, variando a cor de acordo com a identidade visual para os programas, ou para os arquivos padrões do computador, cores já definidas pelo S.O., podendo estas serem conhecidas por uma legenda na tela.
Este novo conceito de interface pode se adequar facilmente a um período de transição no mundo das tecnologias interativas. Pode ser operada com acessórios já conhecidos, como o teclado e o mouse, como também com novos dispositivos de realidade aumentada, como luvas sensíveis, ou joysticks do tipo Nintendo Wii. Também podemos prever sua aplicação em ambientes holográficos interativos, ou mesa sensível ao toque (tecnologia Digital Paper). O usuário poderia arrastar uma estrela flutuando em seu entorno, e guardá-la na mesa interativa, ampliando as funcionalidades do S.O. Estelar. Um bom exemplo seria a busca na Web, podendo o usuário alternar-se entre o S.O. de seu computador e o universo paralelo da Internet, arrastando os itens/estrelas encontrados na busca para a mesa interativa, ou vice versa (da mesa para o ambiente estelar do S.O.).
Apontar e selecionar as estrelas (mouseOver, mouseDown) são ações que podem ser indicadas visualmente por grafismos típicos dos HUDs de jogos de ação (como Dead Space), de modo circular, animando-se ao redor da estrela interagida.
Na solução de uma interface de e-mail, o usuário poderia escolher ou criar um planeta (customizando suas propriedades) no Espaço de Trabalho, e designá-lo como receptor de “meteoritos” (as novas mensagens na Caixa de Entrada). O planeta também pode ser designado não apenas como sua conta de e-mail, mas como seu Planeta Avatar, representando o protocolo de seu computador na Internet. Isso facilita a interação de um navegante com outro na rede, seja Intra ou Internet.
Enfim, os estudos da astronomia vêm fornecer um bom sistema simbólico a ser aplicado às interfaces digitais metafóricas. As próprias teorias da entropia da matéria e da expansão do Universo condizem com a questão da eternidade e da ilimitada capacidade de expansão da cultura imaterial (formalista), agora condicionada pela nova maneira de pensar e viver do homem contemporâneo, mais imagética e não-linear do que nunca antes constatada (Vilém Flusser, 2007). O Sistema Operacional Estelar (SOE) dará mais liberdade de espaço em layout e possibilidades criativas sem precedentes em interfaceamento, sem as contradições que caracterizam as mídias digitais comuns, derivadas das mídias impressas, baseadas em um modo linear de ver e pensar (não que a linearidade em si seja um problema...).
Além disso, o conceito de redes ou malhas de hiperlinks, de ligações entre entidades ou objetos virtuais pode ser melhor experimentada no S.O.E, com mais facilidade e rapidez de operação. O fato de os computadores estarem mais aperfeiçoados em sua capacidade de processar imagens e objetos 3D e simularem fenômenos da natureza mais realistas – graças à tecnologia de hardware evoluindo a potências cada vez mais elevadas – sugere que o S.O.E poderá se tornar realidade num futuro próximo.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

um breve conto sci-fi...

Observações:
– Todos os nomes são provisórios, inclusive o do personagem principal "Ignis" e seu codenome, "Lagan"...
– A narração pode tornar-se enfadonha e prolixa nas explicações de caráter técnico, devido ao meu repertório científico insuficiente... Mas ainda assim gostaria muito que lessem!
– Postem qualquer tipo de comentário. Tenho a mente aberta a todas as opiniões, novas idéias e até objeções, críticas ofensivas, xingamentos... desde que tudo venha da sinceridade e da leitura completa da história.

– Planejo estender ainda mais, de modo a virar uma grande história. Minhas idéias podem resultar em vários livros e pretendo me lançar nessa produção quando minha vida tiver melhor estruturalmente. =/






A INVASÃO GALAFLAME

O TEMOR DE LÚCIA
– Vinci está infiltrado na estação espacial da HIEXR (Human Iniciative for Extraterrestrial Research), repousada a 180000 anos-luz do sistema solar de sua origem, em nebulosas próximas ao bulbo central da Via Láctea. No momento, encontra-se na reta final de sua missão, que é analisar os procedimentos das pesquisas, a condição de vida humana e as suspeitas de corrupção; mas, principalmente, desvendar tudo o que foi escondido desde o inicio desse projeto, realizado sob parceria de nações, entidades financeiras e várias corporações transnacionais na Terra.
– Vinci se dispôs de aproximadamente 23 anos para espionar, desde os estágios iniciais da construção, até conhecer infra-estrutura, tripulação, administração, lideranças e inteligências artificiais. Em 20 de Agosto de 2115, nos mandou informações via ondas eletromagnéticas de tecnologia space-lensing-cross, o que lhe permitiu elaborar imagens tridimensionais, gráficos estatísticos variados e grandes quantidades de informação. Ao serem checadas, nos foi possível mapear e conhecer toda a macro-estrutura da estação. Foi construída progressivamente, a partir de 2085, e finalizou-se como um planeta artificial, suspenso na paisagem cósmica. Uma paisagem tão pictoricamente colossal como nunca antes vista pelo pintor mais inspirado.
– Chamada Cristal Negro (ou pelo apelido geral: Crystal Steel), a estação tornou-se um corpo celeste, visto ao longe, na forma de um monólito tecnológico agourento, mergulhado na imensidão profunda das estrelas e nebulosas. Sua dimensão pouco menor que o satélite lunar terráqueo, vislumbra fracamente o centro, em torno do qual se emaranham estruturas metálicas ordenadas, que servem para montagem e acoplamento das construções de habitação, laboratórios, bases militares e de controle autodefesa. Encontra-se ao limiar de uma nuvem de gases compostos de hidrogênio, ozônio e outros gases nobres, além de grandes asteróides – minérios úteis à engenharia da recém chegada colônia exploratória.
– A comunidade científica acreditava (e só agora se convenceu...) nas possibilidades de ligas metálicas diferentes das que se produzem na Terra, além da existência de metais elementares totalmente estranhos aos da Tabela Periódica conhecida... Esse é um dos maiores motivos que fizeram os humanos acelerarem a conquista do hiper-espaço...
– Como plano de fundo, a paisagem deslumbra-se magnífica, em vastas constelações! O pó-de-estrelas espalhado aos 360º da visão, alternando-se em brilhos, cores e aglomerados diferentes, disperso no espaço tão ampla e profundamente longe quanto os olhos podem distinguir! Sem contar as outras grandes esferas de luz, que não deixavam dúvidas a nenhum outro imaginário – perito ou não em astronomia – quanto às suas dimensões em relação ao nosso velho Sol Terráqueo de dias azuis...
– A estação, apesar de, em seu estágio atual, ser capaz de abrigar mais de 90000 pessoas, não menos do que 35000 vivem nela, entre militares, engenheiros, técnicos e cientistas de várias áreas; o resto são criaturas robóticas encarregadas das tarefas mais árduas, movendo-se agitadas aos montes, feito silhuetas de uma aparente população de humanóides e animais... Além disso, Cristal Negro ocupa o espaço pelo seu diâmetro de 2606 km; superfície 28,5 milhões de km²; 80% do tamanho da nossa Lua. Um corpo celeste tecnológico resultante das maiores pesquisas da engenharia reversa; agora à imagem e semelhança de um crescimento urbano planetário minuciosamente arquitetado, suspenso no céu estrelado... No centro encontra-se o gerador de gravidade global, permitindo à Crystal Steel dar condições físicas semelhantes às da Terra.
– Vinci, de acordo com seus planos que já havia pré-estabelecido naquela época em que nos enviou as informações, finalmente tem acesso ao setor de vigilância e autodefesa planetária. O que está prestes a fazer provavelmente nos abrirá as portas a mais uma horrenda batalha...
Assim termina Lucia de registrar em seu diário de bordo virtual, agora terminando a sessão do software de gravação de voz em seu HUD-Pod. Enquanto observa o espaço através das grandes janelas panorâmicas da nave em viagem, Ulrich, lider da equipe de reforço na missão, se achega perguntando calmamente:
– Lucia, por que tenho te notado sem aquele seu bom humor? Você nos contagiava... Há dias tem se mostrado tão quieta e pensativa... desde quando embarcamos em Mother Cruiser... O que se passa? Está com medo?
Lucia vira-se e fita os olhos de Ulrich. Fala com ar melancólico:
– Você não está com medo? Nem um pouco? Até parece um veterano, falando desse jeito... Não se empolgue com seu cargo de líder. Sei que cada um da equipe está ansioso, mesmo o pouquinho que seja... A tropa dos 220 também!... É a nossa primeira vez... Ninguém aqui passou se quer por um colégio militar... Viemos todos da mesma condição social...
– Lucia, minha querida... Primeiramente, quero dizer que não estou empolgado com o meu cargo... Não pedi ao Sr. Emdam... Apenas quero exercê-lo de modo a dar exemplos de um digno escolhido... Devo me empenhar na minha coragem e segurança. Nessas horas é que nos damos às provações da vida. O que está por vir nos deixará mais fortes... Você sabe disso! – roga ele, sorrindo leve e afetuosamente.
– Oh amigo... Eu sei! Todos nós fomos escolhidos dentre jovens de todo o planeta... Isso me dá honra, é claro. Não estou com TANTO medo. È só aquela ansiedade que vem, quando fazemos algo muito além de tudo que se pode experimentar na Terra... Viajar pelo espaço com a Galaflame é maravilhoso, mas, ao mesmo tempo, essas missões prometem ser um grande desafio. E o Lagan então! Aquele cara me intriga! Em Nebula Fire, ele raramente aparece pra se enturmar com o pessoal da frota. Nos treinamentos, ele apenas dava as orientações, mas logo saía, deixando tudo com os flamdrins. Apesar disso, sempre se apresenta com uma expressão calma e até alegre; com um sorriso leve e gentil; com aquela cabeça raspada ainda, nota-se um semblante plácido. O olhar dá impressão de uma personalidade forte, muitos anos nas costas... e ainda parece ser mais novo do que nós!
Ulrich, agora inquieto, se entrega à empolgação:
– Eh! Ele parece ser um cara incrível... Simplesmente por também ser da Terra, e daquele país onde está acontecendo várias revoltas... Acredito que seu passado seja uma história muito interessante...
Os dois agora parecem jovens comuns, numa conversa que, se antes começou com seriedade e angustia, agora se descontraía, como numa sala de aula do colegial. Lucia diz agora sobre outra das grandes figuras Galaflamers:
– E o Vinci, hein! Como ele deve ser?... Noto que é muito falado pelos membros da cúpula. O Sr. Emdam fala dele várias vezes, quando conversa com os flamdrins.
– O que eu sei é que ele não é flamdrin... também foi recrutado da Terra, há muito tempo antes da gente...
– Que máximo! – diz Lúcia, e de repente esbanja aquele humor outrora sumido. – Espionando nossos conterrâneos! O que será que está fazendo em Cristal Negro neste momento?...
Ulrich agora volta ao semblante de militar sério:
– Precisamos que ele conclua a sabotagem do sistema, de modo a, no mínimo, fazer as unidades voadoras orbitantes, assim como toda a frota externa de proteção (majoritariamente robótica) ficarem latentes, sem detecção de ameaças e objetos não identificados no raio de 10 anos-luz de seu alcance... Só assim teremos campo de missão favorável pra darmos o primeiro passo... Lagan é esse passo... Irá à frente para chegar direto aos setores de abrigo humano e de lideranças, o que só é possível devido às suas habilidades de combate, que reúnem, de uma só vez, funções de fuzileiro, metralhador, demolidor e atirador de elite[1].
Subitamente, os dois são interrompidos por alarmes sonoros breves, semelhantes a escalas de piano em nota Si; em seguida, a voz do flamdrin Dáiam, avisando:
– Ulrich, Lucia! Venham ao centro de comando. Parece que vamos encarar situações graves quando chegarmos em Crystal Steel...
– Só podia ser... Tinha que acontecer um imprevisto... – Diz Lucia, sentindo de volta aquele frio na barriga... – Será que aconteceu algo a Vinci?
– Deve ser isso... – responde Ulrich – Ainda não recebemos nada acerca da chegada de Lagan. Ele está a apenas 33 horas de viagem até lá... Vamos ver Dáiam!
Saem os dois da ala lateral da nave, onde se estendem as grandes janelas panorâmicas, flutuando a caminho do Centro de Comando, localizado na popa da grande Mother Cruiser.

VINCI É CAPTURADO
Vinci sai do setor CSSD (Crystal Steel Self-Defense System, ou SDS). Toma extensos corredores a caminho do hangar de espaçonaves Standard Fighters... Mas então, depara-se com o que torna-se uma das cenas mais sinistras e ameaçadoras de sua vida. Agora pasmo, dominado por um medo mortal, pensa consigo:
– Eu...eu...ahhh... soube das atrocidades às quais fomos submetidos... Mas isso?... Meu Deus!… Isso não pode ser real! Como nunca pôde ser... – começa agora a irromper sua voz, um pouco rouca e afobada, bradando como se estivesse a reclamar com o maior mau-caráter do mundo – NÃO! NÃO ME MACHUQUE!... Quem é você? É o Demônio??? Já vou lhe avisando que não tem poder sobre mim!!!
– Sabe quem sou eu, Vinci?... – diz a silhueta humanóide com uma calma intimidante e um ar cômico, flutuando no obscuro profundo do corredor, cujas luzes esverdeadas começam a se apagar, uma após outra...
Vinci é então capturado à força. Podia-se ouvir seu grito num raio de 500 m de onde estava, ecoando pelos corredores e ambientes internos do setor SDS. A voz alternava-se em tons de agonia diferentes, terminando sufocada, com um chiado estridente. Alguns da tripulação nas proximidades ficaram alarmados. Alguém estava sendo estrangulado...
Apesar disso, Vinci conseguiu completar sua missão, ao fazer com que o temporizador do seu equipamento de sabotagem causasse dano geral no setor de controle da SDS. Os robôs começam a avaliar, e não conseguem abrir a escotilha de entrada da sala de painéis. Várias unidades de reparo se juntam no corredor. Alguns maiores trazem canhões de íon para arrombar as porta. Outros introduzem aparelhos cibernéticos na parede ao lado da escotilha, para tentar abri-lo, mas suas tentativas de resolução são tardias...
Dois operadores de máquinas que estão na cabine de gerenciamento de robôs se indagam [EM INGLÊS]:
– Philip, come take a look! It’s’unbelievable! […] venha ver isso! Inacreditável! É a primeira desordem, desde a inauguração da estação! Os robôs de manutenção estão convocando os da classe SDS para arrombarem a escotilha de entrada do setor secundário de painéis. O corredor A-001 está tumultuado deles... – reclama Alan.
Enquanto Alan observa sentado tudo que acontece pelo mapa em seu monitor, Philip desconecta os cabos de imersão cibernética de sua cabeça, se levanta da poltrona e dá três passos em direção à janela da cabine.
A cabine está no topo de uma torre de aproximadamente 200m, que lhes permite ver as transições de máquinas, robôs e tripulantes pelo setor da SDS, que fica a 45º de longitude oeste. Philip, apesar de todas as vezes que observara admirado a paisagem, agora arregala os olhos diante da fumaça cinzenta que escapa e se espalhava pela atmosfera acima do local da desordem. Centelhas frenéticas lançam, a grandes distâncias, milhares de partículas incandescentes, como fogos de artifício que não saem do chão; destroços brilham à luz das grandes estrelas Magalhães 6 e 7. Finalmente, Philip solta a voz:
– QUE DESGRASSA! – pronuncia devagar os fonemas, indignado – Quem foi o ultimo a entrar?... C...co...como!... Como conseguiu permissão sem passar por nossa sub-alfândega???
– Não consigo acessar o banco de IPs (Crystal Steel Intra Protocol System). Está tudo dentro da sala de controle, que, no momento, não recebe entradas, nem ciberneticamente... Por que o sistema falha justo quando mais precisamos dele?! Até parece que os técnicos não fizeram testes antes de implementar tudo... Que droga! – reclama Alan de novo. Os dois se olham por um tempo; Alan começa a lembrar – Hei! Um cientista chamado Vinci vinha pro SDS a cada 5 ciclos... Deve ter sido ele! Ah, e mais! Enquanto você estava imerso na Intra-Cyber, ouvi uns sons muito estranhos. Pareciam gritos ao longe, de alguém sendo torturado. Me deu calafrios... Não posso acreditar que tudo isso esteja acontecendo milhões de anos luz da Terra...
– Tente localizar esse Vinci pela Intra-Cyber (Crystal Steel Intra-Cyber Space).
– A pesquisa apenas encontra seu ICP (Intra-Cyber Protocol), mas não revela seu diretório... Isso quer dizer que ainda está na estação, mas não sabemos onde exatamente...
– De qualquer modo, todo mundo na Estação permanecerá nela... As unidades de vôo para tripulantes foram desativadas, assim como o sistema de auto-defesa... Isso me parece estranho demais! Por que justo esses dois sistemas estão corrompidos? O pior de tudo é que a droga do alarme ainda não foi acionado… Isso está me parecendo SABOTAGEM... – afirma Philip com olhar de mistério.
Os dois discutem ouvindo as estruturas de sua cabine tremerem e reverberar sons graves, estrondos metálicos, vindos dos robôs em ação no corredor principal A-001 da SDS. Tensão e ansiedade os dominavam enquanto desciam da torre e tomavam conduções para o local da desordem.

ALERTA DE INTRUSO
Ignis Costa Júnior. Codinome: Lagan. É o único na GalaFlame Ministry (uma entidade formada por humanos via-lacteanos, vindos de uma outra civilização, muito distante da Terra) da categoria Heavy Cruiser Warrior e um dos guerreiros primórdios. Também é o único dotado de um equipamento de guerra diferenciado, resultado de eras e eras de conhecimentos acerca de matéria exótica e tecnologias revolucionárias, adquiridos em jornadas extensas – ou até lendárias – dos humanos pelo espaço sideral – o chamado Sider Space...
Ele está prestes a entrar em Cristal Negro como um ousado e ultrajante intruso... sozinho... sem reforços.
Como um leopardo correndo em toda sua força, a nave Flying Cat avança pelos 800 metros longe das docas de entrada, localizadas 90º longitude oeste, 50º latitude norte. Chega sobrevoando a órbita, manobra em mergulho kamikase e entra nas docas[2] (que ainda não foram fechadas, como medida de segurança emergencial) até frear-se bruscamente. Muitos robôs avistam a nave intrusa e acionam estado de alerta para toda frota robótica equipada com armas de Crystal Steel. Centenas deles e mais outras unidades de variadas formas: voadoras, rastejantes, canhões fixos na plataforma de recepção... todos disparam fulminantes rajadas balísticas e lasers em Lagan, a partir da plataforma.
Lagan, num grande salto de dentro da nave, emerge entre as milhões de luzes do fogo cruzado dispensado pelos frenéticos disparos dos robôs. Muitos escapam, lançados ao espaço, além da atmosfera artificial. Assim começa um grande show pirotécnico de explosões, estrondos, luzes intensas, sons agudos e estridentes.
Os robôs, atentos, fitam suas câmeras – seus olhos – no ser que se impõe em meio ao caos. Vêem um ser humano vestido com uma roupa muito bem fixada às formas e curvas do corpo. Ao mesmo tempo em que tentam atingir o alvo, processam os dados observados: um corpo esguio, de 1,77m; pela agilidade e altura, estimam a idade de 19 anos, massa orgânica de 60kg. Avistam também uma estrutura que seu banco de dado não reconhece: em seu braço direito, uma arma de vários canos... um grande aparato mecânico.... Há um arco traçado da extremidade dos canos até o cotovelo, a guisa de uma faca gigante acoplada à arma salteadora. Além dos seus canos de disparo, se divide em muitas formas metálicas cinza prata, chapas, capas protetoras, alavancas, mira a laser... outras peças incandescentes de atividade propulsora. A arma é estimada pelos atentos seres robóticos, sem certeza técnica, como uma grande metralhadora, vista com seus componentes eriçados, dinâmicos, estendendo-se à frente do braço como seu prolongamento mecânico de guerra e destruição em massa[3].
Lagan agüenta o peso, mas o objeto bélico é tão grande que não consegue equilibrá-lo da melhor maneira. Suas pernas dão passos desengonçados, por isso, passa várias vezes a utilizar sua livre levitação...
Sua armadura é na verdade uma rede entrelaçada, constituída de um material exótico – de composição química ainda em estudo, denominado pela GalaFlame de Tenerium – que permite o teleporte de matéria em baixa escala e interage com propriedades tanto tecnológicas quanto metafísicas do ser humano.
Várias chapas do metal exótico se espalham pelo corpo, compondo uma proteção hermética, compacta, resistente às maiores rajadas de força do universo. Têm suas formas combinadas com as dos músculos, aspecto polido, brilhante, dando a Lagan um visual de automóvel high-tech style. Outros tecidos abaixo da proteção desempenham sucção de fluídos corpóreos e regulam a temperatura; por teleporte, também conferem reposição de energia e hidratação.
Seu capacete também é compacto, parecendo um envoltório simples, sem exceder a proporção do crãnio. Na face, fica a expressão de pantera à espreita, com as formas ovais pequenas para os olhos semi-serrados, reluzentes em um tom dourado.
Logo abaixo da armadura, há uma rede bloqueadora de inércia, reguladora de equilíbrio e movimentos. Reluz quando em atividade máxima, vista através das frestas entre as chapas metálicas.
Em suas costas, uma das mais importantes inovações da GalaFlame: três discos, fixados na armadura – também constituídos do material exótico – que proporcionam vôo livre, à velocidade de até 600km/h. Lagan pode voar como um pássaro, se deslocando e fazendo malabarismos com toda naturalidade.
Flying Cat desembarca sozinha, saindo pelas docas. É atingida por várias rajadas lasers, no limiar da doca de saída. Assomando-se lá encima, passa pelos anéis das docas e escapa sem danos, acelerando bruscamente quando vários dos robôs desistem de persegui-la.
Lagan está agora cercado de robôs. Antes, voava acima deles em círculos vertiginosos, desviando-se da torrente de disparos, que nem passam perto do alvo; depois, quando os robôs entendem que não é fácil abatê-lo, pousa, caindo com os pés no centro da plataforma. Por um breve momento, a plataforma se torna um palco onde os personagens se aquietam e se espalham à volta de um único protagonista; todos cessam fogo e analisam as características daquele ser ameaçador, intacto, também perscrutando ao seu redor...
Subitamente, Lagan voa 30 metros acima, ao passo que gira em torno de si e dispensa os tiros da metralhadora – a Wired-Fire... As hordas robóticas logo respondem à ofensiva, em disparos frenéticos, autômatos, retornando assim o caos na plataforma. Lagan dispara um míssil a leste e destrói todas as máquinas que o cercavam naquela direção. Sobrevoando de volta a oeste, mergulha em direção aos remanescentes, esquivando-se dos tiros; com a outra mão, joga um explosivo Fire- Gêiser e termina a destruição de centenas das unidades SDS.
Lagan avista a leste, estendendo-se a partir da plataforma, a larga pista de passagem de veículos que levava, por cerca de 2 km, à base de descarga e checagem de conteúdos. A arquitetura é grande, com altura de 25 metros. No portal de entrada, cerca de 20 robôs guardavam sob o umbral em arco; mandam disparos ao longe, enquanto Lagan voa a caminho. Esquiva-se de um... dois...três... outra série de mísseis perseguidores... até finalmente ser atingido, porém apenas o fazem desabar no limiar da base. Capota o corpo por cerca de 8 segundos no chão de concreto da pista; recompõe-se de pé já dentro da base. Recebe outros tantos tiros que o deixam sem reação e o mandam logo para fora da base... Novamente, se levanta rápido; repentino, empunha Wired-Fire, e um alto estrondo dispara, tremendo o ambiente. Uma cápsula é lançada a 955 km/h, demolindo toda aquela arquitetura high-tech em cima das máquinas vacilantes... Outras conseguem escapar, mas são destruídas por mais uma sessão de balas. Lagan vira-se e depara com duas entradas de túneis dividindo a pista, 30m à frente. Voa e deliberadamente entra no esquerdo. A 210 km/h de velocidade dentro do túnel, só pode ver as luzes passando, mas nada ainda além das curvas e no horizonte.
Voando adentro, nota que, na parede à direita, um veículo à trilha o alcança. Diminui a velocidade e percebe que dois homens em pé estão nele, vestidos com equipamento técnico e capacete com um grande visor de vidro mostrando o rosto. O veículo é pequeno, como uma plataforma teleférica sem cobertura e um parapeito de cilindros de aço; os dois os agarravam firme e se equilibravam em pose surf.
Lagan vê que estão discutindo, ora olhando para ele, ora entre si, virando a cabeça várias vezes. Como não consegue distinguir direito a expressão de seus rostos, ativa dois círculos de iluminação. Os dois tripulantes se assustam e erguem uma de suas mãos a frente, pois a luz os ofusca. Os círculos aparecendo de repente, daquele modo, flutuando ao redor do corpo de Lagan, mais pareciam desenhos vivos, mágicos e reluzentes; não se pareciam com a tecnologia conhecida.
Um deles apanha e aponta uma arma comprida que estava fixada na grade do parapeito. O outro tenta impedir, agarrando com a mão esquerda a direita armada do companheiro, baixando a pontaria por um instante. Os dois se olham bravos, rangendo os dentes, pois se desentenderam... De repente, Lagan ataca rajadas de choque. Arcos voltaicos os atingem chicoteando, e o armado é lançado contra os parapeitos, desaba no chão do veículo; o outro, com o escudo de um metro que também havia á disposição, conseguiu se proteger, mas fora atingido no flanco. Também é lançado contra a mesma barragem traseira, caindo de joelhos ao lado do outro desacordado. Chegando mais uma bifurcação, rapidamente puxa uma alavanca, e o veículo segue outro rumo no túnel. Lagan os deixa escapar, seguindo à esquerda.
Após cerca de 10 segundos, finalmente avista o fim do túnel se aproximando. Uma espécie de átrio, com o teto aberto, e as paredes com portais dando para outros túneis. Lagan chega ao centro, observa os portais fechados e voa para a abertura acima. Lá fora, avista um complexo extenso de construções, e uma torre lá longe, a oeste. É o setor SDS.
Ele conhece o mapa inteiro de Cristal Negro... sabe onde deve ir... sabe que aqueles gazes e destroços incandescentes sendo lançados à atmosfera são da tentativa dos robôs de entrar na sala de painéis de controle, onde Vinci deveria ter armado a sabotagem da SDS e, depois disso, ter ido ao hangar de aeronaves, fugir, e encontrar-se com Lagan fora da estação. Fica parado, flutuando, ao observar por um tempo aquela paisagem de construções cinzentas, em cubos enfileirados; a torre estranha, negra, com inúmeras luzes seguindo o tronco... Agora vai direto ao local da sabotagem. Alguns robôs tentam entrar pelo teto, mas Lagan logo os expulsa com rajadas laser, e continua o que estavam fazendo ao seu modo. Pousa sobre a construção e dispensa abaixo mais rajadas. Um estrondo... mais outro... e o terceiro explode a estrutura, abrindo o teto da sala de painéis. Entrando nela, vê à volta uns cinco monitores planos de tamanhos diferentes, o maior mostra o que as câmeras de vigilância captam em todos os ambientes da Estação e além dela, nas áreas de coleta das nebulosas próximas. Lagan aproxima-se de um monitor menor, no canto da sala e começa a operar os painéis. Tocando deliberadamente aqui e ali na superfície touch-pad, consulta o mapa, para procurar o paradeiro de Vinci, tentando onde pudesse mostrar seu ICP gráfico.
O histórico mostra que Vinci foi para a saída da SDS que dava na pista oeste, até a plataforma de entrada de aeronaves, que, por sua vez, dá acesso ao hangar. Parou no corredor da SDS por cerca de 5 minutos. Depois, mostra no mapa que voltou ao corredor A-001, que dá no túnel de onde acabou de sair. Dali passou por um dos portais, seguiu o túnel na velocidade de 80 km/h, depois simplesmente desaparece do mapa, apagando o ponto que o representava na tela.
Lagan faz várias digitações e abre os três portais que estavam trancados. Lá, segue o que se impusera fechado ao lado direito do fim do túnel. O mais rápido possível, a 300 km/h, o túnel o levava em direção sudoeste de Cristal Negro. Estava a caminho do centro de experiências químicas, a Crystal Steel Industrial Lab. Aproximando-se o fim, reduz gradualmente a velocidade e pára a poucos metros do umbral em arco, dividindo o túnel do estranho laboratório. Agora seguindo a pé, em passos calmos, sabe que deve entrar com cautela...
Observa então um imenso ambiente. As laterais com janelas panorâmicas. O lugar tem 8500m², altura de 60m até o teto, onde se podia ver construções pendendo como estalactites. Delas se prolongam grandes tubos de fluídos até a base, que relampejavam em tons dourados. Na base, terminam em silos de armazenamento.
Lagan apenas observa, mas permanece relutante, pois além da paisagem, distingue lá embaixo, ao longe, fileiras e fileiras de seres mecânicos postados no chão, como que esperando por alguma ordem inicial. Os mais próximos apontam seus braços equipados em direção do túnel. Todos ficam parados por um tempo, mas Lagan começa e subitamente larga vôo, indo direto àquela grande tropa. Assim dá início a mais uma batalha descomunal: um numeroso exército contra um único inimigo...
Logo irrompe o som alto de muitas metralhadoras, e Lagan voa em espirais, desviando-se dos milhões de balas. Atira com a mão uma XSpace- Gêiser[4], e muitas unidades são jogadas a metros de distância.
Porém, Lagan não presta atenção nos muitos robôs voadores dispersos pelo espaço acima dele, e acabam lhe atingindo várias balas; finalmente, dois mísseis o acertam em cheio pelas costas...
Além dos soldados equipados com extensão robótica de guerra; chegam a passos largos centenas de homens equipados com uma armadura militar volumosa e metralhadora. Todos observam tensos Lagan sendo atingido, e as explosões lançando ao chão se corpo, que rola... capota... e os combatentes próximos não cessam fogo... seguem o corpo, que continua a rolar por metros de distância, invisível em meio às explosões...
Logo o comandante, usando extensão robótica, anuncia bradando sua rouca e forte voz:
– CEASE FIRE! – grita longamente a última palavra, e aqueles que insistiam logo começaram cessar fogo. A fumaça dispersa em segundos, a multidão fica atenta... 1... 2... 3... 4... 5... Então aparece Lagan de pé, fincando no chão uma haste negra e comprida, soltando faíscas embaixo. De súbito, Lagan salta ligeiro na vertical, a 80... 100... 200 por hora.
Cthennnnnnnnnnn... bbbbBBBOOMMMMMMMMMMmmmmmmmmmmm!!!....
Do chão, onde estava Lagan, se ergueu uma alta labareda de fogo e fumaça. Assim, todos que se aglomeravam vacilantes só tiveram tempo de tomar um susto. São jogados longe. As instalações químicas se deformam, entortam, quebram certas partes pelo grande impacto; as janelas se estraçalham num ruído estridente, meio agudo, rasgando o ambiente. Um vento forte expulsa destroços afora, a além das grandes laterais. Tudo acontece em segundos...
Logo tudo é sugado de volta ao núcleo da explosão por uma ventania mais fraca. Os soldados erguidos pelo equipamento robótico caem, muitos dos outros a pé escorregam... capotam... logo desmaiavam, ou tentavam se recompor devagar, cambaleando e caindo. Lagan que, depois da grande ofensiva, flutuava a salvo no alto, quase no alcance das estalactites tecnológicas, mergulha de cabeça para passar pelo rombo que abriu no chão. Ao se aproximar, acaba ouvindo um som como de uma cachoeira fraca de melodias, causado pela centena de soldados agonizantes, dialogando e gritando entre si...
Lagan passa pela neblina de plasma do interior de Cristal Negro; logo escapa para fora, se desviando das estruturas que sustentam as construções pelo globo.
Não olha pra trás... aquele laboratório tão apreciado pela comunidade científica, agora em ruínas, transformado em campo de batalha... Em sua parte superior, acima dos limites da arquitetura, se erguiam mais construções até o nível das docas; um imenso tubo interligava o laboratório até uma outra plataforma acima, onde as naves coletoras não-tripuladas descarregavam a matéria colhida. O tubo, assim como aqueles menores, dentro do laboratório, também relampejava em tons ora dourados, ora azuis, ora esverdeados.
Agora seguindo o caminho do túnel que se estendia a partir da outra extremidade do laboratório, já avistava o setor de hospedagem humana, denominada The New City, A Nova Cidade. Ali se encontram todos os humanos em Crystal Steel.
Mas olha acima, e, para sua surpresa, avista centenas de corpos voadores que ainda não consegue identificar à distância. Estão sobrevoando muito além da atmosfera artificial, espalhados pelo céu da Estação, numa imensurável região. Muitos dispersos, outros voando em formação ordenada. A cena o deixa impressionado e distraído. Ouve um som grave aumentando gradualmente, até que DJHUMMMMMMmmmmmmmmm!!!! E leva uma rajada sem perceber de onde veio... A armadura o protege, mas ele fica tonto; ainda continua o vôo, mas sente uma forte dor nas costas e flancos. Subitamente dá de cara com uma daquelas unidades. Não previa tal estranheza. Se espanta com o que vê... Imediatamente, Lagan solta mais um projétil bomba, e a explosão destrói a criatura, mas também atira longe o próprio corpo.
DJHUMM, DJHUMMM, DJHUMMMMMMmmmmm!!... Mais três rajadas o pegam de surpresa... Agoniza forte com a voz e a garganta aos nervos. Ativa vôo automático, desviando-se como uma mosca de mais tiros, enquanto é curado pela sua armadura.
A unidade que destruíra se parecia mais com um monstro do que com um robô! Não tinha nexo aquela face meio sorridente, um olho saltado e o outro piscando sem parar; aquele corpo de músculos excessivos, rosados, e a cintura envolvida por um cinto metálico... No lugar das pernas, pendiam cabos e fios elétricos, medusas filamentosas gordas, tecno-orgânicas, compridas, terminando numa longa calda à semelhança dum escorpião... Um braço direito maior e mais forte que o outro, introduzido por muitas peças mecânicas que se estendiam e interligavam vários canos de disparo, sendo um destes maior do que os outros. Sem contar as várias outras peças saído e entrando do corpo, aparentando não ter funções específicas...
Antes de Lagan ter lançado o projétil, ouviu a criatura emitir um som intermitente, como o de uma corda de violão puxada com insistência, aumentando a freqüência lentamente, junto com uma voz sussurrante mórbida que delirava. A maior dúvida era de onde havia saído. Talvez dos grandes anéis cruzantes em volta da estação, além da atmosfera. Lagan não tem certeza, mas julgou melhor destruir um grande número deles, a fim de facilitar a entrada de Mother Cruiser, que, a essa altura, já estava a caminho, quilômetros de distância.
Logo nota que vários do mesmo tipo estão quase a cercá-lo. Estes tinham o mesmo padrão, mas fisionomias diferentes. Percebe que além de combatentes são bombas ambulantes... Imediatamente tenta fugir, largando-se veloz em direção a New City. Dispara WF com balas e munições laser na multidão que o persegue. Um cardume de outras centenas de andróides apressa seu curso na atmosfera e seguem Lagan. Logo milhares o perseguem. Um vôo vertiginoso sobre a cúpula de vidro da grande cidade tornava o céu em batalha espacial... Lagan atira alucinado com Wired-Fire na direção de vários aglomerados. Alterna-se entre rajadas balísticas, íons, mísseis e lasers de longo alcance. Logo uma chuva de peças, próteses e órgãos caem ensangüentando a cúpula da cidade. Toda aquela destruição acabou borrifando uma grande região do céu, acrescentando uma tonalidade vermelho-sangue à estética da estelar paisagem...
Ao longe, Lagan ouve abafados explosões e estouros, quando mais uma vez é alvejado de surpresa por um golpe que o atinge acima do tronco até a cabeça. Lagen é lançado para dentro de Crystal, perde-se em meio ao plasma e às grandes barras da mega-construção, muito abaixo do nível das bases.
Voltando à consciência, se confunde com a neblina, e avista a silhueta vaga de uma misteriosa construção, pouco abaixo de New City, e interligada a esta por uma estrutura em haste. Mas ouve estranhos sons mecânicos e eletrônicos se aproximarem atrás, vira-se, e depara com uma figura ainda maior... Cerca de 8m de altura. Mais um monstro a perseguí-lo... Seu corpo tem o mesmo aspecto dos andróides anteriores, mas agora tem armaduras e uma espécie de elmo tecnológico fixado no pequeno crânio.
Lagan usa Wired-Fire, mas esta logo começa dando sinais de dano... Só consegue metralhar... E, pelo que notou, não surtia mais efeito no ser que se impunha 15m a frente. Ao tentar a escapada, o gigante joga um material viscoso do braço direito, atingindo e amarrando o corpo de Lagan. Puxa e voa até um dos portais de New City. Abre a escotilha e, voando por sobre os exóticos edifícios da cidade, joga Lagan contra o chão. Este se recupera antes de se chocar, retorna acima e finca um dos extensos cilindros de Wired-Fire (em cuja extremidade, há acoplado um metal rígido e pontiagudo) dentro do peito do andróide. Porém, este o agarra com os braços, e os dois se lançam ao chão em grande velocidade. Lagan puxa várias vezes o gatilho da metralhadora, também tenta fazer funcionar o lazer, insistindo com a outra mão numa pequena alavanca de ignição de reatores: um... dois... tres... quatro... CLACKkkk!! E consegue mais uma ajuda de WF, quando, tarde demais, estão quase no chão. Caem em cima de uma base, e o andróide se explode, numa força ainda maior do que a bomba de Lagan no laboratório.
O que era para eliminar o intruso o faz adentrar ainda mais, caindo num escuro abismo. Um largo túnel vertical iluminado por leds nas paredes, que mais parecia um ambiente subterrâneo artificial, com os mecanismos e as peças metálicas compondo falhas e relevos à volta.

Lagan ainda tem agarrado na perna esquerda o que restou daquela arrebatante figura pós-humana. Três vezes o tamanho do intruso, da cabeça e tórax até o braço direito, continua em estado terminal, como um boneco quebrado, oscilando ao vento da queda... espalha-sangue... espalh’indústria... retalhado em suas carnes; seus outrora aparatos mecânicos ainda mais se misturam, à guisa de lixo tecno-orgânico... Com a mão, segura forte a perna do guerreiro, e ainda consegue olhar piscando; pender fora a língua filamentosa; babar e soar suas cordas vocais, bovinamente alto e agonizante...
De súbito, dá um tranco e sacode Lagan, feito um gorila usando o lagarto de brinquedo... Lagan se assusta, tenta usar WF, mas ela não responde... Então ativa Projeção Gráfico-Material: a tecnologia de teleporte de matéria fracionada; aparecendo assim uma figura holográfica de uma espada na lateral do sinto. Enquanto a arma é projetada em matéria, Lagan soca WF e tenta fazê-la funcionar pelos gatilhos. Qualquer tipo de munição serviria nessa hora...
Logo percebe que o túnel vai sendo iluminado pelo seu final. Tenta observar o que o espera, mas não consegue distinguir bem. Apenas percebe que o túnel termina cedo de mais, muito acima do que parecia mais um dos grandes ambientes da arquitetura steeliana. Segundos antes de passar pelo grande círculo de escape, Cutting-Brighte fica pronta. Com a mão esquerda Lagan à retira do cinto e logo começa a desferir na tora humanóide. Golpeia desesperado, e os dois estão caindo numa espécie de templo high-tech. A 50 metros, Lagan continua a golpear o andróide, e, tarde demais, os gladiadores espatifam numa imensa arena de piso polido. Misturaram-se o baque tilintante do intruso com o baque oco reverberante do lixo tecno-orgânico, que termina de se esquartejar com a cabeça rolando, cuspindo sangue e fluidos pretos.
Lagan se ajeita fracamente... Apóia-se nos braços, força dobrar as pernas, mas cai, manca, desequilibra... Na terceira vez, levanta-se lentamente, abraçando o tronco e mau carregando WF. Leva a mão às partes danificadas da armadura nos flancos e na cintura, onde se perderam chapas de metal protetor, expondo o couro negro com os filetes claros do sistema de equilíbrio adicional. Larga-se de WF dando um tranco com o braço, e ela escapa num estalo vibrante de peças. KLAACKKkk... Desaba em mais estalos e rangidos.
Depois de observar seu estado, olha para o chão á volta, para as paredes... Além do chão, nada mais parece ser uma arquitetura planejada, pois o resto é aparatos tecnológicos sem nexo adornando as laterais. Uma grande sala redonda, pouco menor do que um estádio de jogos. Os patamares superiores e o teto formam uma cúpula, começando com cabos incandescentes grossos, dando uma tonalidade vermelha ao ambiente; terminando lá no alto, até a saída do túnel, em formas geométricas reluzentes num fulgor branco, iluminando bem o vasto e misterioso lugar. Há um som pulsante de grandes máquinas, ecoando e reverberando, parecem repetir dou ou três notas.
Trata-se de um setor que não constava nos holomapas do companheiro infiltrado em Crystal Steel.
Lagan finalmente dá um tempo. Vê um sinal em seu visor informando a chegada de reforços. Na armadura facial, o visor Fire-Eyes e os metais cobrindo a boca se abrem ligeiros. Expressa consigo, porém cansado e abatido:
– Arrrhhhh... Cara!!... Aonde você foi parar?... ­– fala Ignis, com a voz meio rouca, sem fôlego, quase a tossir.
Fecha os olhos, ergue a postura e a cabeça, se espreguiçando; logo se curva e dispensa uma longa tosse, rangendo os dentes e gorgolejando a voz:
– GGGh!hhhhrruuurrrrrrrrr... – Termina ele, quase se ajoelhando.
Sabe que está num lugar possivelmente perigoso, mas continua com olhos fechados, devido às dores, que demoram a serem aliviadas pela sua roupagem multifuncional. Na mente lhe vem lembranças do Brasil e da família... Inclusive não esperava que a missão em Crystal Steel lhe guardasse esses últimos imprevistos. Subestimou a evolução tecnológica de seus conterrâneos, já que passou tanto tempo longe da Terra. Mas, como se não bastasse o sistema próprio de cura, uma voz lhe vem do profundo, lhe reergue a alma, dando novas forças, nova perseverança... Assim levanta devagar, meneando a cabeça, e quase dá uma risada. Comenta, forçando a voz ainda rouca:
– É claro... Tudo isso é necessário, afinal!
Mas seu rosto muda completamente a expressão, ao ouvir um som se iniciando, vindo de trás. Era de arcos voltaicos, longamente chicoteando ar e chão à volta. Uma presença intimidante se aproxima e Lagan receia olhar para traz... Os sons voltaicos terminam, e ele diz em pensamento:
– Cutting-Mirror teria sido melhor... Cutting-Brighte não foi tão eficiente dessa vez, agora está longe de mim, jogada no chão... Mas não posso tentar pegá-la... Não pelo que ameaça minhas costas agora!
Mas Lagan tenta. Voa rasgando o ar em direção à espada, 10m longe dele. Segura CB com a ponta abaixada. Cai forte, faz arco com a perna direita, risca o piso: TCHZZZZZZZZZIIITT!!! Ao jogar sua face acima, se depara com uma cena além de sua compreensão...
Lá está um homem branco nu, esticado e pendurado pelos braços e pernas, cerca de 8 metros do chão. Os cabos enganchados nas mãos e nos pés se ligam a aparelhos esféricos que ficam flutuando. Lagan nota a posição do corpo inteiro semelhante àquela do milenar Homem Vitruviano de Leonardo. Chega mais perto, nota um maquinário imenso vindo do alto da cúpula como um braço robótico de várias dobras, feito de peças negras. Dele sai um cabo, que, para a pasma cognição de Lagan, se introduzia nas partes baixas daquele pobre ser. Outros cinco cabos estavam conectados a terminais na nuca e nas costas. Está molhado de suor, mas já começa a dar sinal de palidez. Sacode muito, e Lagan não entende se o fazia por causa da dor, ou se era impulsos vindos daquela máquina hedionda. Ao sacudir, os aparatos mecânicos soam como um monte de peças soltas, e balança as mechas molhadas dos cabelos pretos, crescidos até o pescoço.
Lagan observa tudo aquilo e sente aflição, junto com pena, indignação e ira, ante a tamanha insanidade imposta a um irmão de espécie... Mas Lagan pensa, agora com uma ansiedade que lhe eleva as entranhas, todo o resto dos nervos... e até alma – Não...nn...não...... não pode ser...
Aqueles cabelos, para arrasar de vez seu coração, são o que poderia encontrar de mais familiar em meio a todo aquele antro de imundices, tão pomposamente produzido pela técnica da corrupção do homem...
A familiaridade do que vê atrai sua mais instintiva curiosidade. Levitando suavemente devagar, à medida que aproxima, a tristeza o domina, e seus olhos se enchem... Achega-se a um metro do corpo – que sacode alternadas vezes – a fim de ter certeza de quem é o rosto, pois está erguido. O pescoço sobressalta as veias, devido à tensão de fortes dores e espasmos. Respira rápido, como que forçando os movimentos do diafragma a colaborarem para suportar a dor... A boca costurada escorre sangue nos furos, devido à pressão das bufadas... O nariz em erupção excessiva de ranho... Olhos arregalados, sem piscar... pálpebras enganchadas... córneas-nervo-sangue... lágrimas de sofrimento...
Lagan chora... soluça... mal consegue dizer que seu nome é:
– V...V... Vinci!... ...amigo... O que fizeram com você?....

CONTINUA...
Próximo capítulo:
O OUTRO LADO