domingo, 1 de junho de 2008

SESI - As Coleções do Museu Nacional do Azulejo de Lisboa

Na Galeria de Arte do SESI vimos As Coleções do Museu Nacional do Azulejo de Lisboa. A coleção se consiste de pinturas em azulejo produzidas em Portugal e no Brasil. A arte em azulejo é uma das principais referências à arte portuguesa no mundo, pois neste país foi sendo praticada há séculos, se tornando uma tradição e, com o passar do tempo, uma técnica renovadora de gostos e estilos. Como cultura artística portuguesa, começou por encomendas da nobreza para ser um dos principais suportes de decoração arquitetônica, compondo cenários agradáveis para os ambientes domésticos da época.


Segundo as descrições na exposição, o Convento da Madre de Deus é onde se encontram as maiores obras da arquitetura religiosa e da arte decorativa portuguesa, sendo vários das peças artísticas oriundas desse edifício, em Portugal. Toda a exposição esteve disposta em ordem cronológica pelos corredores, mostrando os primeiros estágios da produção artística, no séc. XVI até atualmente, para mostrar como o azulejo foi tão bem trabalhado, a ponto de acompanhar as mesmas estéticas desenvolvidas pela pintura tradicional em tela. A galeria então mostra azulejos do Renascimento, do Barroco, do Modernismo, de autores contemporâneos, e até esculturas, como a Estatueta de Efebo, o Centro de Mesa Com Nereidas (uma espécie de vaso, muito bonito), e o Sapato, de Bela Silva, feito em 66.

As obras que eu mais gostei foram o Painel com Figura Mitológica de Atenas (séc. XVIII, 2,57 x 1,44m), pela sua dimensão, composição e detalhismo; a Balaustrada com meninos (séc. XVIII); e Lisbonne aux Mille couleurs, modernista, pelas cores bem trabalhadas e pelo detalhismo do desenho da paisagem citadina.

Itaú Cultural - H2Olhos

A exposição H2Olhos ocupava o 2º subsolo. Quando entramos, as paredes estavam vidraçadas, refletindo um pouco a nossa imagem. Era a seção H2Olhos no Olho, segundo o site do Itaú Cultural; além das outras adiante, que são H2Olhos no Leito e H2 Olhos nas Nuvens. Na seção Leito, havia figuras desenhadas, em traços típicos de desenhos infantis, de peixes e outras criaturas marinhas. Em Nuvens, nós podíamos sentar em pufes e assistir vídeos e DVDs, que podiam ser escolhidos e os monitores colocavam no DVD player pra nós.
O conceito é oposto ao do Quase Líquido, pois se baseia em familiarizar o público sobre os trechos limpos do rio Tietê e sua nascente; em vez de abordar suas partes mortas, poluídas, e as mazelas e problemas sociais causados em cidades metropolitanas corrompidas pela má urbanização...

Itaú Cultural - Quase Líquido

No dia 13 de Maio, eu e meus amigos da república fizemos uma maratona de atividades complementares na Av. Paulista. O trajeto foi primeiro no Itaú Cultural, depois na Galeria de Arte do Sesi, e por fim nas exposições do MASP.
No Itaú Cultural estavam as exposições chamas Quase Líquido e H2Olhos. A Quase Líquido ocupava os primeiros andares, assim foi a nossa primeira atividade.
Varias obras me despertaram interesse, outras não... Afinal, eu confesso que, numa exposição de arte, sempre estou sujeito à condição de observador alienado, ignorante, sem cultura, com seu gosto formado e excludente... Mas devo ser perdoado, pois esse dia foi curto, e queríamos aproveitar o máximo das atividades pela Av. Paulista.
As fotografias de lugares abandonados, de Rubens Mano, intituladas Súbitas Paisagens, foram as que mais me interessaram, pois tinham um ar de lenda, de um passado distante. Muitas eram fotos de parques infantis, ou de piscinas com escorregadores, mas rodeadas pelo mato, árvores e arbustos. Os azulejos sujos e os materiais enferrujados das construções... davam a impressão de uma civilização esquecida, sendo que são de lugares construídos recentemente. Dava até nostalgia, pois me fazia imaginar as crianças que se divertiam com aqueles brinquedos, mas agora o lugar não passado de um rastro da passagem humana...
Outras das mostras que também me interessaram foram "Experiência de Cinema", "Vitrines" e um vídeo em loop - chamado Inventário das Pequenas Mortes (Sopro), de Cao Guimarães & Rivane Neuenschwander - em câmera lenta, de uma bolha gigante flutuando, com sua forma variando constantemente. O fundo alternava-se com paisagens campestres... Fiquei uns poucos minutos observando, pois era legal aquele aspecto gelatinoso da bolha... aquilo meio que hipnotizava... Enfim, Quase Líquido não estava tão tediante...
Ressalto também o conceito geral da exposição, que eu gostei muito, por ser realista, e pelo intuito de conscientização. Fui informado pelo site oficial do I.C. que trata-se de uma contraposição "ao sociólogo polonês Zygmunt Bauman, para quem a atualidade é caracterizada pela modernidade líquida. 'No Brasil vivemos um estágio híbrido. Vivemos uma era quase líquida, uma modernidade contraditória que não engata e que só a duras penas se realiza', diz [Cauê]Alves. 'Basta olhar para o Tietê para identificar parte do mundo contemporâneo e do nosso atraso. O Tietê é um símbolo do nosso estágio de modernização'." Cauê Alves é o curador.